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Saúde
Postada por:  Antônio Francisco,  em  05/04/2011 às 09h04
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Combate ao mosquito da dengue promove novos produtos no mercado
Óleo de neem, pulseira e 'sapo' de citronela prometem proteção contra inseto. Secretário de Saúde do RJ afirma que proteção individual 'não resolve'.

05/04/2011 às 09h04

Produtos que pegam carona no combate à dengue têm se tornado mais comuns nas prateleiras dos mercados, farmácias e lojas especializadas, e alguns deles surpreendem pela criatividade. Alguns já eram usados simplesmente para espantar ou matar mosquitos e outros insetos, e não especificamente o Aedes aegypti, mas aproveitam o apelo da doença para se promoverem. A variedade levanta dúvidas sobre qual o melhor método para combater o mosquito transmissor.

O crescimento na oferta desse tipo de produto é justificado pelo alto número de casos de dengue registrados nos primeiros meses de 2011 em todo o Brasil. Apesar de menor que em 2010, a incidência da doença ainda preocupa. Dados do Ministério da Saúde apontam que neste ano, até o dia 26 de fevereiro, foram registrados 155.613 casos de dengue no país.

Em São Paulo, a vendedora Cintia Santana da Silva trabalha há 6 anos em uma loja especializada em produtos para combater pragas como insetos, ratos e baratas. Ela conta que, de cada 10 clientes, 4 procuram produtos específicos para combater focos ou o mosquito da dengue. A Região Sudeste é a segunda em casos de dengue registrados neste ano, atrás da Região Norte.

A loja especializada em que ela trabalha também oferece velas repelentes com andiroba, que afastam mosquitos sugadores de sangue (R$ 9,90, o par); inseticidas que, segundo os rótulos, matam larvas e mosquitos da dengue (R$ 11,90); e redes para proteção de caixas d’água (R$ 35 para modelos de 500 litros).

Entre os produtos mais populares, Cintia aponta o óleo de neem, um inseticida natural para pulverizar plantas e áreas externas. “É um óleo extraído de uma árvore natural da Índia e que tem muita saída aqui. Indico para quem pede sugestão de produto para combater o mosquito, porque ele impede a reprodução, a alimentação e a eclosão dos ovos”, afirma a vendedora.

Hans Dohmann, secretário municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, falou ao G1 sobre os diferentes métodos de evitar o contágio e elogiou as iniciativas que primam pelo combate à proliferação do Aedes aegypti, como fazer furos em pneus e recipientes que possam acumular água parada. O município do Rio de Janeiro já soma 13.830 casos de dengue notificados e oito mortes confirmadas até o mês de março.

“Eu acho que uma parcela da população acredita que uma proteção individual resolve. Não resolve, ela mesma está se expondo, porque todos esses mecanismos são temporários, alguma hora ela vai ficar fragilizada. Não é uma estratégia boa, o melhor é combater o foco. Não adianta se proteger sem acabar com o foco e a proliferação do mosquito”, afirmou o secretário.

Pulseira e 'sapo' de citronela
Produtos feitos à base da planta citronela são os mais comercializados e procurados pelos consumidores no Paraná, segundo vendedores ouvidos pelo G1. A região Sul apresentou a menor incidência de dengue nos 2 primeiros meses de 2011, mas o Paraná teve aumento no número de casos.

A citronela tem cheiro forte e dela é feito um óleo comumente usado na fabricação de repelentes. Um dos produtos mais vendidos pelas lojas populares de Arapongas, Maringá e Apucarana é a pulseira de borracha com o aroma da planta, que, segundo os lojistas, protege contra o mosquito por causa do cheiro. O preço varia entre R$ 5 e R$ 7. As lojas vendem em média 50 pulseiras por dia.

Outro artigo que tem chamado a atenção dos consumidores para combater a dengue é o 'sapo de citronela', que também é de borracha e exala cheiro forte. A ideia é que as pessoas espalhem vários 'sapinhos' pela casa para espantar o mosquito. Cada um é vendido pelo preço médio de R$ 2,90.

Proteção individual
Segundo alguns vendedores, as pessoas passam a procurar os produtos principalmente depois que algum conhecido contraiu a doença, como um parente ou vizinho. E há quem perceba uma preferência por artigos mais voltados para a proteção individual.

“As redes para colocar na janela saem muito mais que as redes para cobrir a caixa d’água, que 'encalham' aqui [na loja]. Eu percebo que as pessoas estão mais preocupadas com a picada do mosquito do que com o combate à dengue”, complementa a vendedora.

Armadilha
Uma estratégia para combater a proliferação em vez de apenas afastar o mosquito transmissor já foi testada e aprovada na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A 'ovitrampa' é feita com um vaso plástico preto, dentro do qual é colocada uma chapa comprida de fibra 'duratree', que tem uma face lisa e outra enrugada. A ponta inferior da chapa fica em contato com água misturada com capim macerado.

Tanto a cor preta do vaso quanto o capim na água ajudam a atrair os mosquitos. As fêmeas aproveitam o lado áspero da chapa e depositam ali os ovos.

O método já foi adotado por 15 empresas da região de Londrina, e qualquer um pode utilizá-lo. A cada sete dias, o líquido deve ser escorrido e a chapa deve ser limpa com uma escovinha sobre terra ou grama, para evitar que os ovos eclodam. O Ministério da Saúde utiliza 'ovitrampas' para monitorar a reprodução dos mosquitos em diferentes regiões.

José Lopes, professor-doutor em entomologia médica da UEL que estuda o Aedes aegypti há mais de 30 anos, afirma que a substância foi testada por um ano e os resultados foram satisfatórios. "Neste período conseguimos recolher cerca de 26 mil ovos do mosquito transmissor da dengue, e isso é apenas o começo. Minha ideia é expandir o experimento para todo o Brasil", afirmou.

Segundo ele, o custo para fazer um 'ovitrampas' é de R$ 1,60. A chapa de 'duratree' pode ser encontrada em lojas de construção. A armadilha deve ser montada apenas em ambientes externos - pode, por exemplo, ficar pendurada em galhos de árvores.






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