Síria controla cidade rebelde e
tropas avançam por montanhas
Refugiados: tendas foram montadas na Turquia para receber os sírios
As tropas leais ao regime do ditador sírio, Bashar Assad, controlam completamente nesta segunda-feira a cidade de Jisr al-Shughur, a primeira a cair nas mãos dos rebeldes desde o início dos protestos oposicionistas em março. Ativistas de direitos humanos dizem que as tropas avançam agora para as florestas e montanhas próximas à cidade, em busca de "grupos armados" aos quais responsabilizam pela revolta contra o regime de Assad. As tropas prenderam ainda centenas de pessoas em vilas nos arredores da cidade rebelde. Refugiados abrigados na Turquia dizem que os detidos são homens com entre 18 e 40 anos de idade, um padrão visto em outros episódios de repressão desde que a revolta começou no país. Quase 7.000 sírios já fugiram dos arredores de Jisr al-Shughour, procurando abrigo na vizinha Turquia. Outras milhares de pessoas estão abri-gadas nas áreas rurais do lado sírio da fronteira, dizem ativistas. As tropas lançaram no domingo uma ampla ofensiva com artilharia pesada e explosões, além de helicópteros e cerca de 200 tanques. A TV estatal síria afirmou que a operação em Jisr al Shugur visava prender "terroristas" e apreender suas armas. De acordo com o relato oficial, apenas dois integrantes das organizações oposicionistas foram mortos. A imprensa oficial síria relatou nesta segunda-feira a descoberta de uma cova rasa com corpos de dez agentes de segurança, cujas mãos, cabeça e pés foram mutilados. "Grupos armados mutilaram os corpos que foram removidos da cova", disse a TV estatal, acrescentando que o Exército entrou na cidade depois de desativar bombas de dinamite colocadas em pontes e estradas pelos grupos armados. O regime sírio acusa "grupos armados" de ter matado mais de 120 membros das forças de segurança do país após manifestações na cidade, em 6 de junho -a invasão militar seria uma forma de retaliação pelas mortes. No entanto, ativistas pró-democracia e grupos humanitários afirmaram que os soldados foram mortos pelos próprios militares ao se recusarem a atirar contra manifestantes desarmados. A censura imposta pela Síria à imprensa impede a verificação independente de informações, mas ativistas afirmaram que pelo menos 1.300 pessoas já foram mortas no país desde março, quando começou a onda de revoltas contra Assad, cuja família está no poder desde 1971.
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