No 2º dia de Rock in Rio, enfim tivemos rock do começo ao final. Destaque para os californianos do Red Hot Chilli Peppers, que sem dúvida fizeram o melhor show da noite. Capital Inicial surpreendeu, e conseguiu tomar a segunda colocação das bandas gringas Stone Sour e Snow Patrol, que apesar do esforço, não conseguiram empolgar o público. Nx Zero abriu a noite com um repertório mais pesado que de costume, mas sofreu com o estigma de banda emo, levando inclusive vaias. No final das contas, todas essas bandas sabiam que grande parte do público estava ali para ver Anthony Kiedis e sua trupe.
No palco Sunset belas surpresas. A mistura de Tulipa Ruiz e Nação Zumbi mostrou seu manguebeat (salve Science!), com a doçura e as canções/vocais melancólicos de Tulipa.
Milton Nascimento e Esperanza Espalding também fizeram uma bela dobradinha. Ela que foi vencedora da categoria revelação no Grammy nesse ano, mostrou todo seu talento cantando e no contra-baixo. Não é a toa que é uma das grandes apostas do Soul/Jazz atual.
Encerrando as apresentações no palco Sunset, veio ele, Mike Patton (Faith no More) com seu projeto Mundo Cane, que teve uma performance cheia de energia com a Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Um show de tirar o fôlego, com direito a músicas em italiano e tudo mais.
Chega de papo, e vamos para as notas e o resumo de cada show da 2º noite do festival.
A banda paulistana abriu o 2º dia de Rock in Rio com um repertório que misturou os primeiros sucessos da banda, com os dos últimos álbuns. Foi uma espécie de melhores momentos do
DVD 10 anos do NX. Eles optaram por colocar músicas mais pesadas, para tentar contagiar o público. Mas não conseguiram. Não foi difícil escutar vaias durante o show, e isso deixou claramente a banda desestabilizada. No final Di Ferreiro já não cantava com a mesma empolgação, e desafinava muito. Ponto alto do show foi a participação do rapper Emicida em “Só Rezo 2.0”, que deu um gás a mais na apresentação dos caras. Apesar de todos esses entraves, a banda mostrou o que é. Não fugiram a essência. Quem gosta do estilo curtiu e aplaudiu. Quem não curtiu, vaiou. Nota: 3.0
Com certeza grande parte do público não conhecia o som do Stone Sour. Apesar de ser uma banda veterana (mas desconhecida), eles não possuem nenhum hit que emplacou nas rádios mundo à fora. Mas isso não quer dizer que não tenha sido um bom show. Pelo contrário, foi a primeira vez que podemos sentir o peso das guitarras no palco Mundo.
Com um vocal rasgado Corey Taylor fez o público da cidade do rock pirar com o bom e velho new metal da Stone Sour. O show teve a participação mais do que especial do baterista Mike Portnoy (Dream Theater) considerados um dos melhores do mundo. Corey Taylor (que canta neste domingo com seu Slipknot) agradeceu ao público e prometeu voltar.
Apesar de o público ter vibrado com os caras, faltou interação as músicas da banda. Mas de qualquer forma foi um ótimo cartão de visita. Tenho certeza que muita gente vai procurar conhecê-los melhor depois desse show. Nota: 3.5
Dinho Ouro Preto surpreendeu no palco do Rock in Rio. Fez um dos melhore shows da noite, e sem dúvida a melhor apresentação nacional, até o momento. A banda fez uma viagem pelos hits que emplacaram nos anos 80 e os seus mais recentes sucessos. Ele fez questão ainda de tocar algumas músicas da banda Aborto Elétrico (Renato Russo), grande influencia do Capital. Foi um dos momentos mais marcantes do show. Ele aproveitou a oportunidade e fez uma crítica pesada aos políticos do país, e dedicou a música “Que País É Esse” para José Sarney.
O “mar de mãos” como Dinho costuma chamar, se fez presente no refrão de “Primeiros Erros”, o maior hit da banda. Outro momento legal do show foi o cover da música “Should I Stay Or Should I Go”, clássico do The Clash. Muitas gente achou que por ser um show com muita música batida seria entediante. Mas não foi. O público interagiu bastante e fez a festa com o Capital. Nota: 4.0
Poucos conheciam o trabalho dos escoceses do Snow Patrol, a não ser o hit “Open Your Eyes”, que liderou a Billboard por mais de 20 semanas. Apesar do esforço, os caras fizeram um show pouco empolgante para um festival. Talvez a história fosse diferente se o local fosse mais intimista. Ponto alto do show foi a participação da brasileira Mariana Aidar, no musica "Set the fire to the third bar".
No final do show a banda conseguiu agradar a platéia com a bela “Chansig Cars” – trilha de Greys Anatomy e Efeito Borboleta – e, com seu carro-chefe “Open Your” Eyes, que só deu certo na segunda tentativa, já que na primeira o vocalista acabou errando por causa de um problema técnico, segundo ele. Show legal, mas pra um público que não era seu. Nota: 3.0
Os californianos do Red Hot Chilli Peppers sem sombra de dúvidas fizeram o melhor show da noite. Diria até do festival, por enquanto. A banda fez um mix no repertório com músicas dos antigos trabalhos e do recém-lançado "I'm With You".
Anthony Kiedis (vocais), Flea (baixo) e Chad Smith (bateria) tocaram sucessos de toda sua carreira; faixas como "Californication", "Can't stop", "By the way", "Under the bridge" e "Otherside" – que levaram o público ao delírio.
Um dos momentos marcantes do show foi a homenagem ao filho da atriz Cissa Guimarães, morto em um acidente de trânsito no RJ. Depois da pausa para o bis, o quarteto voltou ao palco vestindo camisetas brancas estampadas com o rosto de Rafael Mascarenhas. Pra fechar com chave-de-ouro o RCHP emendou sua “Guibiruwai (Give it away)” pra terminar de deixar seus fãs enlouquecidos.
Destaco a participação do novo guitarrista da banda Josh Klinghoffer, ex Janes Addiction, que apesar do esforço, ainda não substitui à altura John Frusciante. Os riff’s, improviso, performances e até os backings de Frusciante fizeram falta, e como fizeram! Mas nem por isso, o show deixou de ser excelente. Flea (com a camisa da seleção) roubou a cena, com seu humor e simpatia de sempre. Seus slaps frenéticos, a pegada matadora de Chad Smith, e o fôlego de Anthony Kiedis ainda fazem do RHCP, um dos grandes do rock internacional. Nota: 4.5
É isso então. Hoje tem mais uma maratona de showzaços no Rock in Rio. Um dia que o metal vai comer solto na cidade do rock. Gloria, Coheed & Cambria, Motorhead, Slipknot e fechando a noite os monstros do Metallica. E ai, quem se atreve a cravar a melhor banda do 3º dia? Aposto no Metallica, e você?
Fonte.meio norte.com