Rio (AE) - O fenômeno La Niña deve ser o grande vilão da safra de grãos este ano, que vai cair para 158,7 milhões de toneladas, 0,7% inferior a de 2011. A redução seria mais forte, não fosse projeção de área plantada recorde para este ano, de 50,6 milhões de hectares. A previsão para o Piauí é que o Estado produza 1,8% da estimativa nacional, ou 2.844 milhões de toneladas de grãos em 2012.
Problemas de estiagem no Sul e chuvas fortes no Nordeste, causadas pela forte alteração climática do La Niña, vão atingir em cheio as produções de soja e de milho, mais de 80% do total da safra, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A soja deve atingir 70 milhões de toneladas este ano, 6,4% abaixo de 2011. Já a estimativa de milho primeira safra é de 34,2 milhões de toneladas, apenas 0,2% acima de 2011, mesmo com área plantada 7,8% superior.
A seca no Sul foi tão intensa que a produção de soja no Rio Grande do Sul deve cair 28,9% em 2012 ante o ano passado. O milho, por sua vez, deve ter produção 45% inferior no Rio Grande do Sul na comparação com 2011. "A seca afetou mais o milho do que a soja", ressaltou o gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Mauro Andreazzi.
Isso deve abrir espaço para outros estados. Os produtores do Mato Grosso, após colheita da soja, normalmente plantam milho segunda safra - e utilizam em torno de 30% do total de área destinada à soja, para tal. "Este ano, eles devem plantar 50% da área da soja (com milho)", afirmou Andreazzi, acrescentando que há uma corrida no Mato Grosso por sementes, que começam a faltar.A reversão da queda na estimativa de safra para este ano não é impossível, na análise de Andreazzi. Muitas culturas ainda estão por vir, como as de segunda e terceira safras. "Não estamos muito longe do patamar do ano passado", comentou.
Mas além de soja e de milho, outras culturas prosseguem com sinais de negativos. Com menor produção, influenciada por preços em baixa, arroz e feijão devem ficar mais caros este ano no mercado doméstico. No caso do arroz, a produção deve cair para 11,4 milhões de toneladas, 14,9% inferior a de 2011. "Isso não atende à demanda interna. Provavelmente vamos ter que importar em 2012", afirmou.